(Exemplos de sucesso) Faxineira vira dona de grande salão de beleza no Rio de Janeiro!

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Comecei a trabalhar  aos 14 anos porque queria dar às minhas filhas o que não tive: uma educação de qualidade e conforto. Eu mesma só cursei até a 4ª série do Ensino Fundamental. Parei porque precisava me sustentar. Sou a quarta filha de imigrantes que vieram de Santa Rita, na Paraíba. Meus pais queriam melhorar de vida. Éramos em sete irmãos e dormíamos todos num único quarto, sem porta e cheio de beliches, em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense.

Tinha 22 anos, quando decidi que me tornaria uma empreendedora da área da beleza. A essa altura eu já atuava como assistente de cabeleireiro e essa era uma ideia fixa. Pegava um pedaço de papel e desenhava projetos de como seria meu salão. Comecei a me preparar, psicológica e profissionalmente, para me tornar essa pessoa. Apesar de ter parado de estudar muito cedo, sempre li muito sobre liderança e administração.

Meu primeiro emprego foi num salão em Ipanema. Eu e minha irmã, Vanda, fomos indicadas por uma amiga da minha avó paterna. Eu tinha 14, ela 18 anos. Arrumei a minha mala com alguns pertences e saí de casa chorando, pois sabia que só voltaria no domingo seguinte. Não tínhamos auxílio transporte. Eu e Vanda servíamos café, fazíamos a faxina e dormíamos ali mesmo. Acordávamos às 7h e íamos descansar só às 2h da manhã. Nem carteira de trabalho eu tinha. Me sentia escravizada, mas nunca me fiz de vítima. Tinha fé e sabia que minha vida ia mudar.  Eu fiquei três meses, até conseguir sair para virar assistente de um cabeleireiro, o Francisco, em Copacabana.

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Era tão inexperiente que um dia ele ficou irritado e gritou: ‘Sai de perto de mim, você só serve para descascar batatas em casa de madame. O engraçado é que, há alguns anos, reencontrei o Francisco. Ele me disse: ‘Zê, soube que seu salão vai muito bem’. Respondi: ‘É, eu aprendi a descascar batatas!’ . Mas, depois daquela humilhação, uma ex-cliente me indicou para a vaga de assistente de cabeleireiro do Aloísio Almeida, no salão J. Assis, que funcionava no hotel Meridien, em Copacabana.

Minha cliente de estreia foi Rebeca Maiolino, dona da rede Laboratório Maiolino. Era a primeira vez que cortava o cabelo de alguém. Quando acabei, tremia dos pés à cabeça, mas ficou lindo. Os sócios me aplaudiram! Minha agenda começou a lotar. Até ganhei minha própria assistente! Fiquei no Meridien mais três anos.

Em 2003, fui contratada por um salão no Shopping da Gávea, onde fiquei por cinco anos. A essa altura, o sonho de ter um negócio próprio já estava enraizado. Eu cuidava desse salão como se fosse meu, fazia bolo e levava para as clientes, comprava xícaras de porcelana por minha conta. Mas queria fazer isso na minha própria empresa. Em 2010, soube de uma loja vaga nesse mesmo shopping que pertencia à minha chefe. Lá havia funcionado um salão infantil, por isso já tinha muitos equipamentos. Propus negócio e ela topou. Dei 50% do valor pedido, e o restante pagaria em parcelas.

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Prometi a mim, mesma que faria do meu negócio uma referência no bairro da Gávea e cumpri essa meta em três anos. Comecei com doze funcionários, hoje tenho quarenta e até duas mil clientes por mês. Já são 33 anos de carreira. Tenho uma cliente de 96 nos que me acompanha há 26. As netas dela vêm ao meu salão.

O nome disso é confiança e sei que com essa dedicação às clientes eu vou crescer muito mais. Hoje, tenho até apoio extra: Ingrid, minha filha mais velha, é advogada, mas trabalha como gerente no salão. A caçula, Isadora, estuda Direito, fala francês e inglês, e está fazendo um intercâmbio no exterior. Não guardo mágoas pelo fato de não ter recebido uma educação formal, porém fico muito feliz de ter conseguido dar ótima formação às meninas.

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